Existe um ditado que diz: "Depois da tempestade vem a bonança".
Olhando para a história da humanidade, vemos situações em que ser diferente é sinônimo para sofrer. Na era da Inquisição, mulheres inocentes morreram porque foram consideradas bruxas por manipular remédios caseiros, tudo porque ousaram fazer algo diferente para a época. Hitler exterminou milhões por serem de raças diferentes e não entravam no seu padrão ideal de sociedade. Muitas comunidades indígenas, em toda a América, foram destruídas por não se submeterem aos costumes do brancos. Negros foram escravizados por terem uma cor de pele diferente. No congresso de Milão, em 1880, foi aprovado o oralismo e determinado a proibição da língua sinalizada em todo o mundo, tudo porque o ideal de sociedade era ter um surdo falante e não sinalizante.
O que é intrigante e ao mesmo tempo engraçado é o fato de que tudo a nossa volta emana diferença. As árvores são diferentes, as plantas são diferentes, os animais são diferentes, até o sol, mesmo sendo um só, brilha diferente em todas as estações do ano. A natureza é diferente. Até mesmo o seres humanos são diferentes; até irmão gêmeos são diferentes. Por que será que este ser, cuja inteligência está acima dos demais seres vivos, teima em querer um IDEAL, UM IGUAL ao ponto de exterminar todos aqueles que são, ou querem ser diferentes?
Vemos que estas diferenças não estão só no campo social ou político, mas também no campo linguístico. E não falo das diversas línguas que existem no mundo, mas da diferença dentro de uma mesma língua. Na língua portuguesa temos a chamada Norma Padrão, que é a língua ideal, o modelo a ser usado e seguido, porém não falamos do jeito que escrevemos. Outro ponto: por quê, quando se trata do situações politicas/sociais, como no caso das mulheres que foram mortas na Inquisição ou de Hitler matando todos os judeus, a reação é partir para o extermínio, a violência, a morte, porque o outro é diferente, mas quando se trata de encontrar um falante da mesma língua que usa expressões diferentes ou fala de um jeito diferente como os surdos, a reação é apenas de deboche e preconceito? Isso só prova que o ser humano é um lunático. Quando entenderemos que ser diferente é ser normal? Que as diferenças movem a sociedade? Para que correr atrás de um sonho, uma ilusão (a sociedade ideal, igualitária) quando a natureza real é totalmente oposta?
Quando haverá bonança para todas as diferenças?

Comentários
Postar um comentário
Comente esta postagem.